LGPD, MATURIDADE DIGITAL DO BRASILEIRO E AS TECNOLOGIAS EXISTENTES

Por: Antonio Araujo Júnior

Sociedade digital madura

Maturidade Digital vai além do simples conhecimento ou implementação de novas ferramentas tecnológicas, mas sim do quão adaptado se está ao ambiente tecnológico e conectado. Isso se pode medir em empresas até o cotidiano das pessoas.

Mas o conceito de “Maturidade Digital” vai além de apenas estar acostumado a tecnologia existente, mas também à característica de adaptação à evolução e transformação que os objetivos digitais possuem. Portanto, a Maturidade Digital é paralela à Transformação Digital, que tem como foco a incorporação da tecnologia como centro da estratégia, aproximando e integrando as operações de trabalho e o capital humano em processos digitais para obter economia, compliance, governança e colaboração.

As tecnologias a serem trabalhadas são as mais diversas: podem ir de assistir Youtube ou acessar uma tecnologia com blockchain, como estar integrado à recursos e ferramentas de trabalho, programas de computador ou aplicativos de assistência pessoal.

A Maturidade Digital, portanto, é resultado do nível de preparado da companhia, da força de trabalho, da cultura e dos recursos. Mas além da aplicação no âmbito organizacional, a Maturidade Digital pode ser a habilidade de ser utilizar as ferramentas e tecnologias digitais, bem como a maturidade de um povo lidar com impactos que estas possuem na sociedade.

A importância de entender como estes impactos são importantes para uma sociedade moderna, é crucial para se tornar uma sociedade integrada tecnologicamente. Uma pesquisa colaborativa com a McKinsey revelou que o brasileiro possui média 3, com índices que vão de 0 a 5, quando se trata do domínio de habilidades digitais e uso de plataformas.

Este estudo é inédito e foi realizado pelo Google e McKinsey, que lançaram o Índice de Habilidades Digitais (IHD) através do DOT Digital Group (2019)¹, com a análise do acesso, da segurança de dados, uso e cultura digital do internauta nacional.

O Brasil ficou em segundo lugar, segundo o Índice de Transformação Digital, com 6% das empresas consideradas líderes digitais, ficando à frente do México (4º) e Colômbia (5º). Esta pesquisa trouxe que os programas de Transformação Digital de muitas empresas ainda estão em sua fase inicial e que as organizações brasileiras possuem receio de que fiquem para trás no mercado.

Na metodologia da pesquisa, 2.477 pessoas foram entrevistadas nas cinco diferentes regiões do país, em 12 estados e 28 cidades, na faixa etária de 15 a 60 anos e condição socioeconômica classes A e D.

Os indicadores analisados foram: acesso, segurança, uso, cultura digital e criação. Entre os resultados da pesquisa, chegou-se à conclusão: o brasileiro possui vocação digital.

Está claro que o Brasil se adaptou rápido as mudanças tecnológicas buscando se tornar uma sociedade moderna e competitiva. Contudo sua maturidade das empresas com relação ao respeito dos dados pessoais dos usuários ainda está longe do ideal. O Brasil possui a quarta maior população online do mundo e está em oitavo lugar no ranking de consumidor online, além de usar principalmente a internet para se informar, se entreter e se comunicar.

O estudo identificou que sete entre 10 brasileiros estão conectados, e que estão em alguma rede social (45% acima da média mundial). E que 67% da população brasileira possui smartphone, gastando a média de 9h de seu dia na internet.

  • Acesso: é relacionado a ligar dispositivos conectados à internet, navegação e funcionalidades de programas de computador e smartphone. O índice foi de 3,5, assim, o brasileiro não domina o comando de voz nem configurar softwares, apesar de conseguir navegar e ligar e desligar os aparelhos.
  • Uso: capacidade de encontrar, consumir informações e realizar transações online. A nota foi de 3,4, pois usam aplicativos de mensagens e buscadores, mas ainda não conhecem de maneira ampla o armazenamento em nuvem e transações online.
  • Segurança: relacionado à confiabilidade de informações, proteção de dados e conhecimento de operações ilegais. Também 3,4 pois os brasileiros possuem muito cuidado com dados pessoais na internet e identificação de pishing, mas não conseguem identificar ameaças como malware.
  • Cultura digital: refere-se a aprendizado contínuo e a capacidade de atualização constante. Obteve o índice de 3,0 pelo aprendizado ocorrer através de tentativa e acompanhar reviews de lançamentos, mas em seu lado negativo, aprende por tentativa e erro, e toma risco no uso de novas tecnologias.
  • Criação: trata do conhecimento de ferramentas de publicidade, uso de ferramentas de promoção de conteúdo e programação para desenvolvimento de sistemas. Esta obteve o menor índice, 1,8.  Justifica-se, pois, apesar de saber criar e desenvolver apresentações e editar vídeos, o brasileiro não entende conceitos de machine learning nem sobre automação de sistemas de dados.

É notável que o Brasil está cada vez mais adaptado às transformações digitais. Nos últimos 4 anos, o país se categorizou em 3º lugar no watch time de Youtube no mundo, e isso significa que 9 entre 10 brasileiros utilizam o Youtube para adquirir algum tipo de conhecimento. Isto significa que grande parte da adoção de tecnologias digitais no Brasil é uma resposta ao desejo de se comunicar e de aprender.

A pesquisa indica que os brasileiros iniciam sua jornada digital aprendendo as habilidades relacionadas ao acesso para somente depois desenvolver competências relacionadas à segurança, uso e cultura, para então serem criativos e criar no ambiente digital.

Mckinsey aponta que a digitalização tem repercussão direta sobre a renda e oportunidades de desenvolvimento social do país. Conforme o IHD, indivíduos com maior maturidade em competências digitais reportam maior satisfação no trabalho com maiores oportunidades profissionais. O Google lançou uma iniciativa chamada “Cresça com o Google”, em 2017, voltado ao incentivo do desenvolvimento digital de brasileiros.

Ainda, é importante perceber que há uma correlação entre as desigualdades sociais e competências digitais. O relatório apontou que os grupos que obtiveram pontuação baixa nos índices estudados, foram notados que estariam enquadrados dentro das desigualdades de gênero, étnica e idade, formando assim um paralelo entre desigualdades sociais, competências digitais e também renda.

Os mais velhos não conseguem acompanhar as transformações tecnológicas nas empresas (em quase 70% das empresas dentro do Brasil), enquanto foi percebido que mulheres ainda são minoria no meio digital.

É interessante perceber que o Brasil, apesar de suas desigualdades e ainda ser um país em desenvolvimento, ter mais cidadãos maduros digitalmente. Está à frente, em relação a maturidade digital, de países desenvolvidos economicamente como Japão, Dinamarca, França e Bélgica.

Mesmo com as adversidades políticas, econômicas e sociais, o Brasil é um país com reconhecida vocação digital e é promissor quanto ao desenvolvimento de tecnologias.

For a digital Society and keep going

Por: Antonio Araujo Júnior

Referências

¹ GOOGLE; MCKINSEY. Índice de Maturidade Digital: a maturidade digital dos brasileiros. [s.l.]: DOT Digital Group, 2019. Disponível em: https://dotgroup.com.br/wp-content/uploads/2019/04/Digital-Skills-Index-2019-1.pdf. Acesso em: 31 out. 2019.

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